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terça-feira, 25 de março de 2008

"A VIÚVA E O AMIGO ESPERTALHÃO"

Era um 07 de setembro de 1989 e a cidadezinha toda estava na rua para ver o desfile comemorativo. Os adultos esbanjavam alegrias e confraternizações e as crianças comiam pipocas, soltavam balões e, seguravam com orgulho suas bandeirinhas de papel, que vez por outra, eram balançadas por uma brisa tênue que assoprava naquela manhã. Apenas um personagem destoava daquilo tudo: Arnaldo. Ele andava de um lado para outro muito nervoso. Já tinha ingerido inúmeras xícaras de café, fumado uns 10 cigarros e, não tirava os olhos da campainha e da porta de entrada do seu apartamento. Esperava alguém.
Solteirão, de boas posses, tinha se apaixonado perdidamente pela vizinha, uma jovem viúva de corpo escultural e beleza extasiante que, todo santo dia, por meses, da janela, jogava um possível charme para ele. Nunca tiveram qualquer contato mais próximo, apenas essas trocas de olhares e, isso bastava para ele.
Cara muito tímido com as mulheres, ele recorrera ao amigo Adalberto para conquistá-la, já que o outro era muito hábil nesse quesito. Em minutos, a campainha toca e ele, muito ansioso, corre e abre a porta para o amigo.
-Graças a Deus você veio Adalberto! Não agüento mais de ansiedade, estou morrendo de amor por essa viúva, meu amigo! É uma paixão louca!
-Você tem que se acalmar e esperar a hora certa para se declarar! Temos que ter paciência quando o negócio é mulher, Arnaldo! Falou o recém-chegado.
-Mais você não veio até aqui só para me dizer isso, veio?
-Claro que não amigo, vim ajudá-lo nessa conquista como combinamos!
-Ainda bem! Pensei que ia me deixar assim nessa agonia! Sofrendo!
Em seguida, após este curto diálogo, os dois se sentaram e passaram a articular um plano de aproximação que tivesse êxito. Ao final de meia hora tinham chegado a um consenso. O amigo se apresentaria à bela viúva dizendo ser um vendedor de jóias e que, o vizinho, um seu inconteste admirador e ricaço, era o real proprietário delas e seu patrão. Arnaldo, por sua vez, teria que aparecer em sua janela como sempre, bem sorridente, para ser admirado pela mulher. Tudo acordado, minutos depois a campainha do apartamento 302 da viúva é acionada.
-Pois não cavalheiro, em que posso servi-lo? Pergunta ela após abrir a porta. O rapaz fica sem ação diante daquele monumento de mulher à sua frente.
-O que o senhor deseja? Insiste a viúva devido à mudez repentina do outro.
-Bem, bem, me chamo Adalberto e sou vendedor de jóias importadas! Se não for incomodá-la, posso entrar? Pergunta ele já refeito da bela surpresa.
-Embora não aja interesse momentâneo, esteja à vontade, entre! Ordena a bela mulher. Chamo-me Laura! Completa.
-Bem, na verdade senhora Laura...!
-Senhorita cavalheiro, apenas senhorita! Agora sou uma viúva e, por conseqüência, não estou mais presa a nenhum homem! Se por acaso me casar de novo, o que não faz parte de meus planos, aí sim, voltarei a ser uma senhora!
-Desculpe-me senhorita! É que estou aguardando uma remessa de jóias valiosíssimas do Egito para hoje que, certamente combinará muito bem com a sua beleza! Gostaria de saber do seu interesse e se poderia vir mostrá-las mais tarde? São peças lindas e raras!
-Por mim tudo bem, mas quem me garante a autenticidade dessas jóias?
-Aí que se encontra o motivo mais forte desta minha visita, senhorita! Poderia vir aqui em sua janela e olhar em frente, por gentileza?
Curiosa e sem entender, a viúva levanta-se e se dirige à janela e vê aquela cara de todos os dias sorrindo para ela.
-Não entendi cavalheiro! O que vejo de minha janela é apenas a figura feia de sempre, bem deprimente, com um sorriso amarelo em minha direção, no qual retribuo por educação!
Vendo que o possível caso do amigo com ela havia terminado ali naquela declaração e que, nem adiantaria dizer ser ele um seu admirador e, mentir de que seria o rico proprietário das pretensas jóias, Adalberto resolveu então adiantar o seu lado, já que a viúva era um “mulheraço”. Após mais alguns papos regados a elogios e intimidades, com o terreno bem preparado, ele se despediu dela e foi de encontro ao amigo. Em minutos já estava junto a Arnaldo.
-E aí, fui bem à janela? Conseguiu ajeitar ela para mim? Pergunta ele ansioso.
Matreiramente o outro colocou em prática seu novo plano.
-Bem amigo, ela realmente está apaixonada por você, mas está te achando muito apressado, nervoso e, pediu um tempo! A notícia boa de momento, mas bem cansativa para mim, lógico, é que ela quer que eu vá lá todos os dias falar de você, contar tudo, meu camarada! Falar de sua vida!
-Poxa, é verdade mesmo Adalberto, é verdade? Ela quer saber tudo de mim?
-A mais pura das verdades! E pode ter a certeza que todos os dias estarei por aqui a visitando e preparando o terreno para você e, dentro de uns 06 meses a 01 ano, no máximo, estarão se casando! Pode acreditar meu amigo! E eu serei o padrinho desse casamento, “podes crer”!
-Poxa, Adalberto, você é um amigão! Nem tenho palavras para agradecê-lo!
-Olha Arnaldo, esqueça isso, os amigos são para essas coisas! Isso é apenas um pequeno sacrifício em prol de uma boa causa! Apenas isso, cara! Pode contar comigo!
E a partir daí, Arnaldo passou a ficar mais vezes na janela e torcer, enquanto ele, às escondidas, se saciava nas curvas da bela e apetitosa viúva no pequeno sofá de seu apartamento.
-Nem todos têm a minha sorte de ter um verdadeiro amigo! Pensava alto o outro, debruçado na janela, com um sorriso estampado nos lábios, mais feliz do que pinto no lixo.
O tempo passou, passou, ele foi envelhecendo e nada. Diziam os transeuntes anônimos que trafegavam por lá na época que, o homem vivia a distribuir sorrisos misteriosos para uma janela vazia. Os que, curiosos paravam e se concentravam na observação, o definiam como um louco.
Falam que até hoje ele se encontra lá, debruçado, à espera de sua amada e da resposta do amigo que, certamente nunca terá, por motivos óbvios, para lhe dar satisfações.













“A Viúva e o amigo espertalhão”.
Carlos Rímolo
Era um 07 de setembro de 1989 e a cidadezinha toda estava na rua para ver o desfile comemorativo. Os adultos esbanjavam alegrias e confraternizações e as crianças comiam pipocas, soltavam balões e, seguravam com orgulho suas bandeirinhas de papel, que vez por outra, eram balançadas por uma brisa tênue que assoprava naquela manhã. Apenas um personagem destoava daquilo tudo: Arnaldo. Ele andava de um lado para outro muito nervoso. Já tinha ingerido inúmeras xícaras de café, fumado uns 10 cigarros e, não tirava os olhos da campainha e da porta de entrada do seu apartamento. Esperava alguém.
Solteirão, de boas posses, tinha se apaixonado perdidamente pela vizinha, uma jovem viúva de corpo escultural e beleza extasiante que, todo santo dia, por meses, da janela, jogava um possível charme para ele. Nunca tiveram qualquer contato mais próximo, apenas essas trocas de olhares e, isso bastava para ele.
Cara muito tímido com as mulheres, ele recorrera ao amigo Adalberto para conquistá-la, já que o outro era muito hábil nesse quesito. Em minutos, a campainha toca e ele, muito ansioso, corre e abre a porta para o amigo.
-Graças a Deus você veio Adalberto! Não agüento mais de ansiedade, estou morrendo de amor por essa viúva, meu amigo! É uma paixão louca!
-Você tem que se acalmar e esperar a hora certa para se declarar! Temos que ter paciência quando o negócio é mulher, Arnaldo! Falou o recém-chegado.
-Mais você não veio até aqui só para me dizer isso, veio?
-Claro que não amigo, vim ajudá-lo nessa conquista como combinamos!
-Ainda bem! Pensei que ia me deixar assim nessa agonia! Sofrendo!
Em seguida, após este curto diálogo, os dois se sentaram e passaram a articular um plano de aproximação que tivesse êxito. Ao final de meia hora tinham chegado a um consenso. O amigo se apresentaria à bela viúva dizendo ser um vendedor de jóias e que, o vizinho, um seu inconteste admirador e ricaço, era o real proprietário delas e seu patrão. Arnaldo, por sua vez, teria que aparecer em sua janela como sempre, bem sorridente, para ser admirado pela mulher. Tudo acordado, minutos depois a campainha do apartamento 302 da viúva é acionada.
-Pois não cavalheiro, em que posso servi-lo? Pergunta ela após abrir a porta. O rapaz fica sem ação diante daquele monumento de mulher à sua frente.
-O que o senhor deseja? Insiste a viúva devido à mudez repentina do outro.
-Bem, bem, me chamo Adalberto e sou vendedor de jóias importadas! Se não for incomodá-la, posso entrar? Pergunta ele já refeito da bela surpresa.
-Embora não aja interesse momentâneo, esteja à vontade, entre! Ordena a bela mulher. Chamo-me Laura! Completa.
-Bem, na verdade senhora Laura...!
-Senhorita cavalheiro, apenas senhorita! Agora sou uma viúva e, por conseqüência, não estou mais presa a nenhum homem! Se por acaso me casar de novo, o que não faz parte de meus planos, aí sim, voltarei a ser uma senhora!
-Desculpe-me senhorita! É que estou aguardando uma remessa de jóias valiosíssimas do Egito para hoje que, certamente combinará muito bem com a sua beleza! Gostaria de saber do seu interesse e se poderia vir mostrá-las mais tarde? São peças lindas e raras!
-Por mim tudo bem, mas quem me garante a autenticidade dessas jóias?
-Aí que se encontra o motivo mais forte desta minha visita, senhorita! Poderia vir aqui em sua janela e olhar em frente, por gentileza?
Curiosa e sem entender, a viúva levanta-se e se dirige à janela e vê aquela cara de todos os dias sorrindo para ela.
-Não entendi cavalheiro! O que vejo de minha janela é apenas a figura feia de sempre, bem deprimente, com um sorriso amarelo em minha direção, no qual retribuo por educação!
Vendo que o possível caso do amigo com ela havia terminado ali naquela declaração e que, nem adiantaria dizer ser ele um seu admirador e, mentir de que seria o rico proprietário das pretensas jóias, Adalberto resolveu então adiantar o seu lado, já que a viúva era um “mulheraço”. Após mais alguns papos regados a elogios e intimidades, com o terreno bem preparado, ele se despediu dela e foi de encontro ao amigo. Em minutos já estava junto a Arnaldo.
-E aí, fui bem à janela? Conseguiu ajeitar ela para mim? Pergunta ele ansioso.
Matreiramente o outro colocou em prática seu novo plano.
-Bem amigo, ela realmente está apaixonada por você, mas está te achando muito apressado, nervoso e, pediu um tempo! A notícia boa de momento, mas bem cansativa para mim, lógico, é que ela quer que eu vá lá todos os dias falar de você, contar tudo, meu camarada! Falar de sua vida!
-Poxa, é verdade mesmo Adalberto, é verdade? Ela quer saber tudo de mim?
-A mais pura das verdades! E pode ter a certeza que todos os dias estarei por aqui a visitando e preparando o terreno para você e, dentro de uns 06 meses a 01 ano, no máximo, estarão se casando! Pode acreditar meu amigo! E eu serei o padrinho desse casamento, “podes crer”!
-Poxa, Adalberto, você é um amigão! Nem tenho palavras para agradecê-lo!
-Olha Arnaldo, esqueça isso, os amigos são para essas coisas! Isso é apenas um pequeno sacrifício em prol de uma boa causa! Apenas isso, cara! Pode contar comigo!
E a partir daí, Arnaldo passou a ficar mais vezes na janela e torcer, enquanto ele, às escondidas, se saciava nas curvas da bela e apetitosa viúva no pequeno sofá de seu apartamento.
-Nem todos têm a minha sorte de ter um verdadeiro amigo! Pensava alto o outro, debruçado na janela, com um sorriso estampado nos lábios, mais feliz do que pinto no lixo.
O tempo passou, passou, ele foi envelhecendo e nada. Diziam os transeuntes anônimos que trafegavam por lá na época que, o homem vivia a distribuir sorrisos misteriosos para uma janela vazia. Os que, curiosos paravam e se concentravam na observação, o definiam como um louco.
Falam que até hoje ele se encontra lá, debruçado, à espera de sua amada e da resposta do amigo que, certamente nunca terá, por motivos óbvios, para lhe dar satisfações.

1 Comentários:

  • Olá, Carlos! Que bom que se interessou pela idéia. Dei uma olhada no seu blog e parece promissor. Se aceitar, ficarei feliz em divulgar o link dele no meu blog pessoal.
    Bem, Vou lhe passar 2 endereços:

    1- o meu blog, para que possamos nos conectar melhor (pegue lá o meu email de contato? ñ consegui achar o seu no blog...):
    www.inimigadopovo.blogspot.com

    2- o nosso catálogo literário, que se chama Sociedade Mutuante:
    www.sociedademutuante.blogspot.com


    Grande abraço,
    Sylvia Marteleto.

    Por Blogger Sylvia Maria Marteleto, às 25 de março de 2008 18:03  

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